O Menino e o Mundo

Após estrear na direção de longas com o premiado Garoto Cósmico, Alê Abreu lança, em janeiro de 2014, O Menino e o Mundo. Em setembro, o filme participa da seleção oficial do Ottawa International Animation Festival, um dos eventos mais importante de animação no mundo e, em outubro, do Festival do Rio, onde será exibido na Première Brasil – Novos Rumos.

A trilha sonora conta com participação do percussionista Naná Vasconcelos, Barbatuques e GEM – Grupo Experimental de Música. Emicida compôs o rap Aos Olhos de uma Criança especialmente para o filme. Os poucos diálogos da trama acontecem numa língua “ao contrário” e as músicas também foram compostas assim. Um grande desafio para atores, compositores e cantores.

Sofrendo com a falta do pai, um menino parte em sua busca. Na jornada, descobre aos poucos a realidade que o circunda, um mundo fantástico dominado por máquinas-bichos e estranhos seres, revelando também aos espectadores o seu olhar ingênuo diante de questões existenciais, culturais e políticas em um mundo globalizado.

Buscando revelar o ponto de vista do menino, e na contramão da estética padronizada das atuais produções animadas, o filme encontra uma linguagem própria, partindo da simplicidade das garatujas infantis e criando um universo lúdico, colorido e em alguns momentos quase abstrato. Utilizando diversas técnicas artísticas como desenhos, pinturas e colagens, misturando materiais como lápis de cor, giz de cera, canetinhas etc., o filme convida o espectador a embarcar no mundo de sonhos da criança e mergulhar em um universo onde tudo é possível.

A ideia do filme surgiu em 2006, quando Alê Abreu desenvolvia uma intensa pesquisa sobre períodos conturbados da história recente da América Latina para um projeto de anima-doc, conduzido através das canções de protesto da década de 70.

O espanto de um menino frente à complexidade do mundo, das relações familiares, dos embates entre as tradições e a globalização voraz, foi se constituindo em uma história de afetos, abandonos, desilusão e esperança. Alê Abreu desenhou, anotou, rabiscou, acrescentou música e sons e foi alinhavando um roteiro visual, que prescindiu de palavras. Talvez por isso o filme também tenha aberto mão dos diálogos, deixando às imagens e sons a tarefa de entregar a intensa emoção dessa viagem, ao mesmo tempo interior e exterior.

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