Almanaque da Rosário — 25 janeiro 2017

A Mostra “África(s): Cinema e Revolução” – As Independências de Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, em Filmes de Luta e Memória, organizada por Lúcia Monteiro e Natália Barrenha, constituiu, sem dúvida, o melhor momento cinematográfico do ano de 2016, no campo da exibição e reflexão cinematográfica.

Ao longo de duas semanas, público dos mais significativos compareceu ao Cine Belas Artes, em São Paulo, para assistir a filmes raros e participar de debates com convidados internacionais (o guineense Flora Gomes e os moçambicanos Camilo de Sousa, Isabel Noronha e José Luís Cabaço) e brasileiros (Ruy Guerra, Celso Lucas, Rita Chaves e Vavy Barbosa Pacheco). Para acompanhar a mostra e amplificar a qualidade dos debates, o público contou, ainda, com excelente catálogo. Durante longos meses, Lúcia e Natália mobilizaram acadêmicos que lecionam ou pesquisam em universidades alemãs, inglesas, africanas e brasileiras para refletir sobre a produção cinematográfica gerada em Moçambique (espaço privilegiado), Angola e Guiné Bissau, no momento (décadas de 1970 e 1980), em que se libertaram do jugo português. Há ótimos textos, frutos de sólidas pesquisas e, o que é melhor, de leitura fluida e prazerosa. O melhor de todos traz a assinatura de Ros Gray e se intitula “Já ouviu falar de Internacionalismo? As amizades socialistas do Cinema Moçambicano”.

Também merecem destaque as análises de “Estas São as Armas” (documentário encomendado ao brasileiro Murilo Salles pelo então presidente moçambicano Samora Machel) e dos filmes africanos de Santiago Alvarez, maior documentarista de Cuba (por Cristina Beskow). Outros exemplos de textos de ótima qualificação: “Aqui aonde eu nunca vim: o reemprego de imagens na elaboração de uma ‘contra-história’ do colonialismo tardio português” (por Raquel Schefer) e “Testemunhos cinematográficos da luta armada e do socialismo em Moçambique” (por Robert Stock).

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