Almanaque da Rosário — 25 janeiro 2017
Por trás das câmeras

O cineasta Ugo Giorgetti vem realizando, para a Spcine, a série “Cinema por Quem o Faz”. Dá para afirmar que, no futuro, esta série terá importância bem maior que agora, no presente. O diretor de “Boleiros” já registrou cinco longos depoimentos de importantes profissionais que fazem o cinema brasileiro, mas raramente são reconhecidos. Até porque não são atores, nem diretores, funções mais reconhecidas do ofício audiovisual.

Quem acessar o site da Spcine poderá assistir aos cinco registros de conversas com a montadora Cristina Amaral, a conservadora de filmes Fernanda Coelho, da Cinemateca Brasileira, o diretor de fotografia Lauro Escorel (“São Bernardo”, entre outros), o produtor Marçal Ferreira (do longa “Colegas”) e com o eletricista João Segatio, que iniciou-se no ofício ainda adolescente, no filme “A Garganta do Diabo”, de Walter Hugo Khouri, e, entre outros filmes, esteve na equipe de “O Pagador de Promessas”, Palma de Ouro em Cannes. A duração das conversas varia de 45 minutos (Segatio) até os 82 minutos de Marçal, passando pelos 80 minutos de Fernanda, os 71 de Cristina e os 60 de Lauro.

Giorgetti inicia a conversa perguntando a cada profissional como ele chegou ao cinema. Segatio conta que a mãe prestava serviços à Vera Cruz, em São Bernardo do Campo, e que ele arrumou lá um bico de servidor de cafezinho (ou de cachaça) para profissionais da área técnica da empresa. Até ser convocado, um dia, para ajudar uma equipe de eletricistas. Não parou mais. Escorel Filho conta que chegou ao cinema pela função de still, já que o pai, o embaixador Lauro Escorel, era apaixonado por fotografia. Ganhou uma câmara de presente e, adolescente, seguiu os rumos do irmão, Eduardo, já integrado à trupe do Cinema Novo. Cristina Amaral, montadora dos principais filmes de Carlos Reichenbach, responde com vigorosa sinceridade a uma pergunta em especial de Ugo: “Você gosta de montar os filmes sozinha ou com o diretor do lado?”. Ela: “Depende. Se for um diretor experiente e seguro, prefiro tê-lo ao meu lado”, pois “a troca será fértil”. Já se “for um diretor inseguro ou angustiado, prefiro montar sozinha, pois sei que ele só vai atrapalhar”.

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