Livros, por Hermes Leal — 17 janeiro 2017
Visões da trajetória histórica do cinema brasileiro

Dois livros marcam a longa trajetória histórica do cinema brasileiro, e como ele se formou como uma obra de resistência para gerar sua identidade, “A Odisseia do Cinema Brasileiro”, de Laurent Desbois, e “Uma Situação Colonial?”, de Paulo Emílio Sales Gomes, ambos lançados pela editora Companhia das Letras. Os dois livros retratam a história do nosso cinema; Paulo Emílio, como crítico apaixonado, coloca nossos filmes como reflexo dos problemas do país e do próprio cinema, retratando um período, entre os anos 1950 e 1960, em que se firmou a identidade de subdesenvolvimento do Brasil diante das economias capitalizadas do mundo. Entre os artigos, “Uma situação colonial?”, publicado em 1960, dá título ao livro, e “Cinema: trajetória no subdesenvolvimento”, publicado em 1973, considerado um texto seminal sobre a produção nacional.

Já em “A Odisseia do Cinema Brasileiro”, publicado originalmente na França, o pesquisador e crítico francês (e residente no Rio) Laurent Desbois refaz o percurso do cinema brasileiro sob olhar estrangeiro, revelando como foi construída nossa cinematografia ao longo do tempo, sem viés ideológico em suas críticas. Sua análise vai desde as nossas primeiras exibições no século 19, passando por “Limite”, de Mário Peixoto, o cinema da Atlântida, a explosão do Cinema Novo, a ditadura no cinema dos anos 80, até o início da “retomada”, no final dos anos 90.

Outro grande livro lançado no ano passado é “100 Melhores Filmes Brasileiros” (Letramento), uma iniciativa da Abraccine, associação de críticos e estudiosos de cinema, que elegeram os 100 melhores filmes da história do cinema brasileiro. O livro é luxuoso, com bom acabamento, uma espécie de “os cem melhores filmes brasileiros para ver antes de morrer”. São 100 autores analisando ou criticando os filmes, que foram escolhidos através de votação. “Limite”, de Mário Peixoto, ganhou como melhor filme de todos os tempos, e “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, ficou em segundo lugar, na votação. É um guia imprescindível para entender a matéria da qual é feito o nosso cinema.

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