Produção TV — 16 fevereiro 2017
Canal se fortalece com conteúdo cultural
Vanessa de Araújo Souza, coordenadora executiva do canal

Com mais de 300 horas de conteúdo inédito de arte, cultura e humanidades, o canal Curta! completou quatro anos de exibição em novembro passado, consolidando-se como uma das portas de entrada mais importantes para os produtores independentes após a aprovação da Lei da TV Paga, em 2011. Especialmente, para projetos sobre pensamento, filosofia e sociedade, papel que já foi da TV pública de qualidade, e que, hoje, é uma das vitrines do canal. A programação também inclui produções originadas em todos os cantos do mundo, as quais, para a coordenadora executiva, Vanessa de Araújo Souza, “eram ignoradas pela televisão brasileira”.

Já na sua concepção, o Curta! buscava uma proposta que não apenas incorporasse a nova geração de realizadores, mas também que recuperasse a “audiência de um público que estava carente de conteúdos culturais mais densos e que, por isso, não assistia mais à televisão”, conta Vanessa.

Perfil humanístico e público graduado

Recentemente, o canal realizou uma pesquisa com os fãs e os dados mostraram que o público está bem distribuído entre todas as faixas etárias adultas. Segundo Vanessa, o levantamento indicou que o grupo de pessoas que mais assiste ao canal possui nível de escolaridade com graduação e pós-graduação, sendo que a formação acadêmica dos entrevistados é mais voltada para a área de humanas, totalizando 53% dos entrevistados.

Mas, até chegar a esses números exitosos e conquistar esse público, essencialmente, mais crítico, a jornada foi longa. Antes de entrar no ar, a coordenadora relata que Julio Worcman, idealizador e diretor do canal, passou algum tempo apresentando às operadoras um catálogo com mais de dez mil obras, provenientes de diversas partes do Brasil, que já estavam licenciadas por meio da sua distribuidora Synapse e pelos projetos culturais Porta Curtas e Curta na Escola.

“Nessa época, já existia o sonho de tornar esse catálogo acessível e, consequentemente, gerar receita para o produtor audiovisual independente. Em 2011, com a publicação da Lei da TV Paga, surgiu a oportunidade perfeita. Os desafios, no entanto, eram inúmeros. A nosso favor, existia esse catálogo valioso. E foi suficiente para conquistar os nossos parceiros operadores”, relembra Vanessa. Por meio da NET, Claro, Oi, Vivo, GVT e NeoTV, o canal passou a ficar acessível para cerca de 11 milhões de espectadores. A Sky ainda não faz parte do grupo, mas conquistá-la está nos planos do canal.

Documentário é o forte da programação

Para a programação do Curta!, a aposta principal sempre foi o gênero documentário, que, atualmente, representa 80% da grade. “Nunca objetivamos competir com outros canais de ficção, pelo contrário”, ressalta a executiva. De toda forma, há uma mistura cultural que engloba longas e curtas-metragens, séries, jornalismo em revista, trechos de apresentações artísticas, clipes musicais, obras de arte filmadas e vídeos de parceiros institucionais.

A aproximação com os independentes, segundo Vanessa, está baseada no diálogo permanente com jovens produtores e com produtoras que estão há mais tempo no mercado, como a Conspiração, a Giros e a Casa de Cinema de Porto Alegre, que recentemente produziu a série “Grandes Cenas”, apresentada pelo ator Matheus Nachtergaele e que rediscutiu algumas das cenas mais emblemáticas da cinematografia nacional.

Perfil para os projetos a serem apresentados ao canal

Para que esse envolvimento entre o canal e o produtor seja o mais orgânico possível, Vanessa reforça que o próprio site do Curta! está sempre aberto para receber propostas de projetos e conteúdos prontos de produtores de todas as regiões, assim como nos eventos que regularmente promovem o encontro entre esses produtores e a equipe do canal, como o Rio Content Market.

Em média, um orçamento típico das séries documentais pré-licenciadas pelo Curta! custa até R$ 2.300 por minuto de produto final. Já os telefilmes documentais, têm um valor médio global de R$ 600 mil, segundo Vanessa. E, para que uma ideia seja aceita, existem alguns requisitos que precisam ser observados.

“Desde os primeiros encontros, apresentamos alguns dos nossos dogmas. O conteúdo precisa ser consistente, não gostamos de obras aceleradas, que atropelam o espectador ao invés de lhe propor reflexões. No canal, só fala quem faz ou entende do assunto tratado, por isso, desencorajamos a presença de apresentadores que só agregam pela aparência ou voz agradável. Somos o canal dos trechos, entendemos que visualizar o que é dito enriquece a experiência do espectador”.

Dentre as próximas metas, a coordenadora aponta que ainda falta lançar o canal em alta definição. Atualmente, 70% da grade é formada por conteúdos em HD, mas exibidos em SD, em formato 16×9 em tela cheia. Entretanto, com a chegada dos conteúdos financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual, a grade tende a se tornar 100% HD. Para isso, ainda será necessária uma aceitação, inclusive das próprias operadoras, em função dos custos mais elevados para o satélite e o uplink.

 

Por Belisa Figueiró

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