Trailers TV Revista de Cinema — 16 março 2017
Estopô Balaio
© Ramilla Souza

Estopô Balaio, dirigido por Cristiano Burlan (Fome), estreia nesta quinta-feira, 16 de março, em São Paulo e São Luiz. O filme encerrou Festival Latino-Americano de 2016 e participou do 40o Festival de Brasília, onde foi selecionado para a Mostra a Política no Mundo e o Mundo da Política.

O filme se passa no Jardim Romano, um bairro do extremo leste paulistano, que há cerca de dez anos sofre com alagamentos decorrentes de enchentes. No ano de 2010, o bairro ficou três meses debaixo d’água com aquela que seria a maior enchente que o Romano já teria vivido. Nasce, a partir do contato do Coletivo Estopô Balaio de criação, memória e narrativa com os moradores do bairro, uma residência artística que já resultou em três espetáculos que foram construídos a partir dos seus relatos e depoimentos a cerca de suas experiências com enchentes.

Desde 2014, Cristiano Burlan (diretor do premiado documentário “Mataram meu Irmão”) acompanha o Coletivo em seu cotidiano no bairro. Estimulado pela comunhão do teatro com a comunidade, surgiu a ideia de realizar um longa-documentário a partir da inquietação: Como opera a arte em situações de trauma social?

O Coletivo Estopô Balaio é formado por artistas migrantes de diversas linguagens residentes na cidade de São Paulo. A partir da experiência pessoal de migração, o coletivo se orientou a investigar a memória migrante na cidade de São Paulo através de meios e modos de produção que partem da ideia de teatro documentário e biodrama. Há cinco anos, o Estopô Balaio desenvolve uma residência artística no Jardim Romano. Os moradores, em sua grande maioria, migrantes vindos de localidades rurais do Nordeste Brasileiro, região caracterizada pela falta de água e altas temperaturas, se filiaram à cidade de São Paulo através das bordas do tecido urbano e assim foram invadindo uma parte da região de várzea do Rio Tietê. As águas inundam com frequência as casas, as ruas e devastam o cotidiano dos moradores, que são obrigados a reinventar a vida, a criar perspectivas de sobrevivência e de re-existência. A arte se alia a esse processo. São todos atores nesse processo de fabular a própria vida. Todos pactuam com o ato teatral. O coletivo criou uma residência artística no Jardim Romano no intuito de investigar esta memória social a partir de processos criativos que reúnem artistas, moradores e jovens moradores que vem se formando artisticamente através de atividades de formação desenvolvidas na sede do Coletivo. Processos de intervenção urbana, ensaios de cena na rua, saraus, espetáculos festa, projeção de filmes em espaços públicos, instalações e espetáculos teatrais foram criados a partir dos depoimentos dos moradores sobre suas experiências com as águas, mas também, trouxeram eles como protagonistas dessas experiências e atores sociais a ressignificarem sua memória.

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