De março a junho, a Spcine e a Revista de CINEMA realizam uma série de encontros entre o público e profissionais do audiovisual negro, no Centro de Formação Cultural Cidade Tiradentes. Dividido em dois módulos, o curso – gratuito e sem necessidade de inscrição – aborda os vários aspectos do desenvolvimento de um filme (artísticos, técnicos e conceituais). Entre os convidados, está Adélia Sampaio, primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, e cineasta que dá nome à sala do Circuito Spcine no CFCCT.

A maratona começa no dia 11 de março com a exibição do documentário O Diário de Outras Carolinas, do Coletivo Nós Mulheres da Periferia. Após a sessão, tem debate com as realizadoras e personagens da obra.

No dia 18 de março, o diretor e roteirista Renato Cândido, do média-metragem Jennifer, e da série exibida pela TV Cultura Pedro e Bianca (vencedora de diversos prêmios internacionais de conteúdo infantil), dá dicas sobre como construir um roteiro a partir da narrativa do filme As Branquelas (2004).

Já no dia 25 de março, após a exibição do longa Toro (Eduardo Felistoque), a atriz Naruna Costa, que também atuou no filme Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, fala sobre sua experiência com atuação em frente às câmeras. Naruna propõe uma análise sobre as etapas da construção de uma personagem, desde a observação e pesquisa até a presença em cena.

Em 1 de abril, João Carlos Ferreira, mais conhecido como Montanha, produtor de vídeos de funk e criador do canal do Youtube Funk TV, apresenta o programa online Funk Tv Visita e os principais pontos da produção de vídeos para plataformas digitais com baixo orçamento. Além disso, Montanha traz estudos sobre luz, figurino, cenário e trilha sonora para vídeos.

“Harmonia, essa é a palavra da nossa roda de conversa e a principal característica de um continuísta”, define Aloysio Letra, arte-educador e cofundador da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN) que apresenta, no dia 8 de abril, o encontro “Você sabe o que faz um continuísta?”. O bate-papo acontece após a exibição de Cortina, de André Schutz, e Uma Primavera, de Gabriela Amaral.

No dia 15 de abril, o foco é em Direção. A cineasta Renata Martins apresenta o curta Aquém das Nuvens e um dos episódios da websérie Empoderadas, ambos dirigidos por ela. Em seguida, Renata propõe uma reflexão sobre o papel do diretor nas construções audiovisuais.

Fechando o primeiro módulo, no dia 29 de abril, o filme Efeito Reciclagem, de Sean Walsh, toma as telas. A convidada para falar sobre montagem é Cristina Amaral, renomada montadora de filmes. Cortando e selecionando cenas, Cristina trabalhou em mais de 60 montagens cinematográficas e também ao lado de importantes cineastas, como Carlos Reichenbach e Andrea Tonacci, nomes proeminentes do Cinema Marginal Brasileiro.

A segunda fase da programação é voltada às ideias por trás de um filme, envolvendo a capacidade crítica, acolhendo questões éticas, políticas e sociais.

Cláudio Nunes, mais conhecido como Tio Pac, exibe seu documentário Defina-se, pautando a trajetória de cineastas periféricos da Cidade Tiradentes, no dia 6 de maio.

Seguindo o cronograma, no dia 13 de maio, as exibições de Balé de Pé no Chão e de Uma Cidade Chamada Tiradentes, ambos da diretora Lilian Solá, puxam o debate sobre o cinema como forma de resgatar a memória e a identidade.

No dia 20 de maio, a cineasta Joyce Prado aborda a arte como denúncia por meio de documentários focados na questões raciais. Nesse encontro, ficamos com trechos dos filmes: A 13ª Emenda, da cineasta Ava DuVernay, e #Justiça para Eduardo, #Manifesto Contra Passividade e Luana Barbosa Presente, todos do Coletivo 111.

No dia 27 de maio, a historiadora Janaina Oliveira coordena um encontro com o objetivo de refletir sobre Cinema Negro e sua história no Brasil como meio de descolonizar o pensamento sobre o cinema e ampliar o repertório sobre a representatividade negra em ambos os campos (cinema e história). Serão apresentados trechos dos filmes:  O Nascimento de uma Nação (Nate Parker), Sweet Sweetbacks Baadasssss Song (Melvin Van Peebles), Faça a Coisa Certa (Spike Lee), Carnaval na Atlântida (José Carlos Burle), Compasso de Espera (Antunes Filho), Alma no Olho (Zózimo Bulbul), Carolina (Jeferson De) e Rapsódia para o Homem Negro (Gabriel Martins).

O encerramento acontece no dia 3 de junho com a presença de Adélia Sampaio, a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no Brasil, que fecha o evento com a exibição de seu filme Amor Maldito (1984).

O Circuito Spcine Adélia Sampaio – Centro de Formação Cidade Tirandentes fica na Rua Inácio Monteiro, 6.900 – Cidade Tiradentes – São Paulo/SP. A entrada é gratuita. Para confirmar presença no evento, acesse o link http://bit.ly/2liTuIo.

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