Diretor francês Bertrand Blier ganha mostra especial

A mostra Bertrand Blier e a Comédia como Provocação apresenta uma homenagem ao diretor Bertrand Blier, que será realizada no Cine Caixa Belas Artes, em São Paulo, entre os dias 15 e 28 de junho, através de uma retrospectiva, com cópias em 35mm e digital, de um dos mais polêmicos e autorais realizadores da França. A mostra é uma grande oportunidade de resgatar um dos grandes nomes da comédia mundial que levou essa arte a um patamar artístico pouquíssimas vezes alcançado, e que no Brasil ainda merece ser apreciado de maneira completa.

O diretor de cinema Bertrand Blier é considerado por muitos um revolucionário solitário, ele usou boa parte de sua obra para dilacerar as hipocrisias da sociedade burguesa, especialmente nas atitudes em relação ao sexo.

Lúcido, ácido, cínico e bem humorado, os filmes de Bertrand Blier são inestimáveis e resistentes ao tempo. A mostra, inédita no Brasil, consiste de 15 longas-metragens feitos ao longo de uma carreira de 50 anos, que serão exibidos durante duas semanas e que contará também com um debate sobre o diretor, no dia 21 de junho, com as presenças dos críticos Fernando Oriente e Luis Carlos Oliveira Júnior.

Bertrand Blier foi grandemente influenciado pelo cinema de Luis Buñuel, recorrendo ao simbolismo e ao surrealismo para dizer o que pensa. O sucesso de seus filmes entre os críticos evidencia sua originalidade cinematográfica e seu apelo de público é fruto da capacidade de capturar o espírito de seu tempo, tudo isso um testamento do gênio especial de Blier. Ele não foi apenas um ótimo realizador, Blier foi sempre um autor muito à frente de seu tempo e um dos artistas mais provocadores do cinema francês.

Bertrand Blier nasceu em 14 de março de 1939, em Boulogne-Billancourt, um subúrbio de Paris. Seu pai era o ilustre ator francês Bernard Bliere, e chegou a aparecer em alguns dos primeiros filmes de seu filho. Bertrand não tinha desejo de seguir os passos de seu pai, mas foi, desde cedo, fascinado pelo processo de filmagem. Aos vinte anos, encontrou o seu primeiro emprego no cinema como assistente de direção e um pouco mais tarde fez sua estreia na direção com Hitler, Connais Pas (1963), um documentário que lhe rendeu um prêmio no Festival de Cinema de Locarno.

Dirigiu mais um filme, em 1967, e interrompeu sua carreira como cineasta por sete anos para alimentar uma de suas outras paixões: escrever romances. Finalmente, em 1974, volta ao cinema dirigindo Corações Loucos (Les Valseuses), filme que efetivamente lançou sua carreira cinematográfica. Com mais de seis milhões de espectadores apenas na França, foi um sucesso fenomenal, e sem dúvida um dos mais ousados filme franceses da década de 1970, estabelecendo Bertrand Blier como um cineasta autoral sério. O filme foi sua primeira parceria com Gérard Depardieu, com quem trabalhou em mais oito longas. Nessa mistura de filme de estrada, sátira social e comédia, mesmo para os padrões de hoje, é notável o sentimento libertino e libertador da película.

Vale destacar ainda em sua obra os filmes Preparem seus Lenços (1978), premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1979, uma reversão sutil mas bastante profunda da comédia romântica convencional; o filme Coquetel de Assassinos (1979), uma comédia de humor negro muito amarga que aborda questões existenciais de uma forma nunca vista na comédia; Meu Marido de Batom (1986), um filme que corajosamente desafia as atitudes contemporâneas em relação à homossexualidade; e por último a obra Linda Demais para Você (1989), filme de Blier, muito aclamado pela crítica, que levou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes. Numa fusão perfeita de fantasia e realidade, o filme é fascinante e perturbador. Vale destacar ainda o filme Merci la Vie (1996).

Bertrand Blier é talvez o último grande iconoclasta da geração ​de maio de 68 no cinema francês. Um revolucionário solitário, conhecido pela sua grande capacidade de usar a escrita como uma navalha cortante, ele usou boa parte de sua obra para dilacerar a hipocrisia da sociedade burguesa e polida, especialmente nas atitudes em relação ao sexo e ao que ele chama de ilusão da emancipação feminina. Todas essas características o colocam com um autor extremamente atual e pertinente em nosso tempo, tratando de temas que mais do que nunca são urgentes.

A programação completa da mostra pode ser conferida no link www.caixa.gov.br/caixacultural.

 

Mostra Bertrand Blier e a Comédia como Provocação
Data: de 15 e 28 de junho
Local: Caixa Belas Artes – Sala Aleijadinho – Rua da Consolação, 2423 – (11) 2894-5781
Ingressos: R$ 10,00 inteira e R$ 5 meia
Passaporte para toda a mostra: R$ 35,00
Bilheteria: das 13h até 20 minutos após o início da última sessão
Lotação: 144 lugares
Horários: 16h (todos os dias), 18h30 (todos os dias) e 23h30 (aos sábados)
Acesso para pessoas com deficiência

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