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EDIÇÃO 97
DEZ/JAN/2010


EDIÇÃO INTERNACIONAL

 
Notícias

26/3/2008 11:07:27

Filme capta alma trash da rua Augusta com diversidade de personagens

Confira os bastidores do primeiro dia de filmagem de “Augustas”, ficção que pretende mostrar a personalidade de uma das vias mais diversas da cidade

O diretor Chiquinho escolhe o plano da filmagem. Foto de Tuca Vieira
 
Por Heitor Augusto*

 

São 7h30 de terça-feira, 25. A maioria dos pedestres caminha sentido à avenida Paulista, centro financeiro. Os ônibus amarelos, que seguem para a zona oeste, circulam ativamente. As primeiras quadras da rua Augusta, em São Paulo, estão tranqüilas – afinal, as duas cantinas, a sorverteria dos straight edges e um bar de pagode estão fechados.

 

Enquanto a rua apenas começava seu dia, no Bar Ponto de Encontro da Augusta, nº 486,  a movimentação era grande. Um caminhão acabara de descarregar fios, câmeras, equipamentos de iluminação e som. Ali, foi rodada a primeira cena do filme “Augustas”, primeiro longa de Francisco Cesar Filho, mais conhecido como Chiquinho, acompanhado com exclusividade pela Revista de CINEMA ON-LINE. O filme quer ir além dos moderninhos que batem ponto nos bares Ibotirama e Charm e nas casas Vegas e Outs. “A Augusta é um espaço da cidade no qual há quatro décadas convivem extratos sociais diferentes em relativa harmonia. Os moderninhos são uma coisa passageira e recente”, afirma o diretor.

 

O filme é baseado em “A Estratégia de Lilith”, livro de Alex Antunes. A história gira em torno de Alex (interpretado pelo dramaturgo Mário Bortolotto), jornalista, morador da Augusta, que acaba de ser demitido e, no pacote, perdeu também a amante. Começa então uma viagem por universos urbanos e por rituais neo-xamânicos de transe. No caminho, desperta uma voz feminina que passa a aconselha-lo e o leva a procurar uma linha mágica e espiritual.

 

Na primeira cena rodada ontem, Alex contava as lamúrias para um amigo. Até às 9h30, bar funcionou normalmente enquanto a equipe filmava. O camarim foi improvisado nos fundos do bar, em frente à cozinha, e teve de dividir espaços com os engradados. As cenas próximas ao caixa registraram famosas frases de bar. Depois de ler placas como “Casamento é igual à avenida Paulista: começa no Paraíso e termina na Consolação”, aos risos o diretor Chiquinho perguntou à equipe: “Onde vocês conseguiram arrumar isso?”.

 

Briga com o trânsito

 

Como o orçamento do filme é de apenas R$ 1 milhão, obtidos no concurso de Baixo Orçamento do MinC, qualquer tipo de economia nas filmagens é bem-vinda, desde que não prejudique o resultado final. Não fechar o trânsito foi uma das economias.

 

O barulho incessante da rua Augusta foi um dos problemas que a equipe teve de contornar com bom humor. O técnico de som Louis Robin foi obrigado a se desdobrar. “É...ficou um pouco sujo [o som], mas acho que dá”, atestou algumas vezes. Como prevenção, ao final de cada corte gravou um “rabicho de som”, espécie de excesso preventivo.

 

As cenas de diálogo dentro do bar tiveram de ser controladas pela intensidade do trânsito na rua. Em diversos momentos, atores e câmera estavam prontos para rodar, mas foram obrigados a aguardar o tráfico amenizar. A assistente de direção Gabriela Ribeiro e a produtora de set Lê Brasil travaram um diálogo cômico:

 

– Vai, vamos rodar essa cena.

– Não dá, está vindo um ônibus lá atrás.

– Mas nunca vai parar de passar ônibus!

– Xi, agora está vindo uma van... e também uma moto!

 

A equipe também teve de lidar com a luz do sol e a passagem de pedestres. Em uma das tomadas, a câmera saía do bar e ia para a rua. O movimento foi feito sem trilho, com a câmera no ombro do diretor de fotografia Aloysio Raulino, que tentou controlar a intensidade da luz e ainda brigou com as nuvens. Em seguida, a equipe teve de tirar os táxis estacionados que impedia a passagem da câmera. Quando tudo parecia pronto, a produtora Eliane Bandeira teve de atravessar a rua e pedir para um motorista que acabara de estacionar para retirar seu carro branco dali – a cor do veículo causaria reflexo.

 

Elenco da nova geração

 

O dramaturgo Mário Bortolotto, vencedor do Prêmio Shell pelo texto “Nossa Vida Não Vale um Chevrolet”, cuja adaptação cinematográfica será exibida no Cine Ceará em abril, interpreta o protagonista Alex (teve até de tingir o cabelo grisalho para interpretar o papel).

 

A prostituta Kátia, uma das peças centrais na trama, é interpretada pela charmosa Caroline Abras. Milhem Cortaz, o policial coxinha Fábio de “Tropa de Elite”, e Selma Egrei, musa dos filmes de Walter Hugo Khouri, também compõem o elenco.

 

A trilha sonora é composta por clássicos do underground paulistano dos anos 80 e 90. Akira S, Fellini, Voluntários da Pátria, entre outros, têm suas músicas reinterpretadas por Los Porongas, Vanguart, Macaco Bong, entre outros.

 

As filmagens de “Augustas” vão até 20 de abril. Entre os locais onde as cenas serão rodadas está o inferninho Las Jegas, no nº 875 da rua. Apenas uma das cenas na Augusta se passa no lado dos Jardins da rua, após a avenida Paulista. “Também vamos filmar o personagem Alex em um ritual de Ayuasca, bem solto e à base de música”, finaliza o diretor Chiquinho.

 

*Colaboração de Tainá Tonolli


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