Caminhos do cotidiano

Depois de bem-sucedida estreia em longas, com “Ela Volta na Quinta” (2014), o mineiro André Novais Oliveira volta ao curta com “Quintal” (2015). O filme foi lançado na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela do Festival de Cannes, mesmo local que o consagrou mundialmente com menção honrosa, em 2013, com “Pouco Mais de um Mês”, e acaba de ganhar o prêmio de melhor curta do Festival de Brasília. Novais, mais uma vez, se volta para o espaço familiar, registrando seus pais em sua casa. O tom, porém, é outro. Se nos filmes anteriores, o diretor se debruçava sobre o cotidiano dramático de transformações, em “Quintal”, ele busca na farsa fantástica um novo caminho.

“O filme surgiu da vontade de misturar a coisa do cotidiano com o realismo fantástico. Parte disso veio da admiração da obra do contista mineiro Murilo Rubião. “Achava muito interessante quando a coisa trivial, do dia a dia, e o fantástico se chocavam, causando algo muito estranho na história. Mas o filme parte disso e vai para outros caminhos, que não tem muito a ver com essa literatura”, explica Novais. “A ideia surgiu também de algumas imagens que tinha de uma câmera antiga que formava uma espécie de defeito na imagem dando uma ideia de algo bizarro, que acabou entrando na história”, complementa. No curta, lançado no Brasil no Cine Ceará, o dia a dia do casal Novais é alterado por um portal que se abre no quintal da casa, com direito a uma série de eventos absurdos que se descortinam.

Filmado em cinco dias, com R$ 30 mil, ganhos no edital 1º Prêmio BDMG Cultural/FCS de estímulo ao curta-metragem de baixo orçamento, “Quintal” conta com uma série de efeitos especiais para compor essa atmosfera fantástica – caso do portal –, realizados pelo também fotógrafo do filme Gabriel Martins.

Para o elenco, Novais voltou a trabalhar com os pais, Maria José Novais e Norberto Oliveira. “Os escalei por sentir que os papéis eram a cara deles e por saber que eles davam conta. Na verdade, o roteiro surgiu mais a partir deles e da casa onde eles vivem. Foi uma maneira de continuar algo do ‘Ela Volta na Quinta’ de uma forma muito diferente, e de certa forma provocando uma ruptura”, comenta.

Novais, como sócio da Filmes de Plástico, tem vários projetos para os próximos anos. Além de filmes dos parceiros Gabriel Martins e Maurílio Martins – ambos filmam um curta cada, neste ano, e juntos o longa “No Coração do Mundo”, no ano que vem –, Novais volta ao longa-metragem com “Temporada”, a ser filmado em 2016 também.

 

Por Gabriel Carneiro

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